CFL @ 02:05

Sab, 13/08/05

O que está na moda é trabalhar para uma empresa de trabalho temporário e o Gumercindo foi-se inscrever numa empresa de trabalho temporário que prima pela honestidade, transparência e rigoroso cumprimento da legislação.

Inscreveu-se porque lhe meteram uma cunha para prestar uns serviços a uma Direcção-Geral de um certo ministério português. Na verdade, já tinha feito o mesmo trabalho para aquela Direcção-Geral noutros anos: no ano passado até lhe pagaram 600 euros por mês! E este ano, feliz por a cunha resultar tão bem, preparava-se para mais uns mesitos a trabalhar ali, pago directamente pela Direcção-Geral em troca de uns recibitos verdes.

Mas num lindo dia de sol recebeu um telefonema de uma empresa de trabalho temporário. Naquele ano tudo tinha mudado. Era a empresa que lhe ia pagar, já não era a Direcção-Geral. E porque a inflação era muito grande este ano teria o prazer de receber 347 euros de ordenado base mais o subsídio de alimentação! Gumercindo saltou de alegria! A perspectiva de receber (feitas as contas com os subsídios e os descontos para a Segurança Social) a grande quantia de 495 euros por mês para fazer o mesmo trabalho, no mesmo sítio, que tinha feito no ano anterior por apenas 600 euros era, sem dúvida, aliciante. E lá foi ele, arregaçando as mangas e disposto a servir o Estado.

O trabalho prolongou-se por mais duas semanas para além do contratado. A Direcção-Geral garantiu-lhe que lhe pagariam essas duas semanas como lhe fora pago o trabalho prestado durante o prazo do contrato. Gumercindo confiou plenamente. Afinal, a empresa de trabalho temporário era honesta, transparente e, acima de tudo, cumpria a lei!!

Quando recebeu, por fim, o último vencimento alegrou-se: afinal, tinham-lhe depositado menos 100 euros do que lhe deviam. Para ter a certeza de que estava tudo bem (não queria ficar com mais dinheiro do que devia) ligou para a empresa de trabalho temporário: às 10h, o responsável não o podia atender porque estava em reunião. Às 12h também não podia porque estava de férias há 15 dias em Madagáscar. Ao fim de algumas tentativas tudo lhe foi explicado: é que as últimas duas semanas foram pagas à hora. Ahhh!

Gumercindo, feliz, por ter recebido quase o mesmo do que se não tivesse trabalhado mais duas semanas foi de férias para a praia de Carcavelos e está desejoso de voltar a trabalhar com aquela empresa de trabalho temporário.

Entretanto ouvira uns boatos maldosos: dizia-se à boca curta que a empresa pertencia a um dos grandes da Direcção-Geral para a qual trabalhou. Gumercindo nunca acreditou naqueles boatos, afinal, isso só serviria para roubar dinheiro ao Estado!

NB: Este conto não é ficção! Passou-se este ano em Portugal. Por razões obvias as personagens não estão identificadas, apesar de não faltar a vontade de dizer bem alto quem são.



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