CFL @ 21:23

Sex, 01/12/06

 
«Começam a revelar-se os factos que parecem ter alterado o destino português. As reuniões de fidalgos realizaram-se no palácio de D. Antão de Almada, ao Rossio (…).
 
«Esta manhã compareceram no Terreiro do Paço, ocultando as armas sob as roupas, e ao tocar das nove assaltaram subitamente o palácio, derrubando tudo quanto se lhes tentou opor.
 
«Rebuscaram na sala do secretário Miguel de Vasconcelos e encontraram-no escondido num grande armário de madeira, onde o executaram sem qualquer troca de palavras. O corpo foi arremessado pela janela para a praça (…). Logo um sem-número de mendigos se lançou sobre ele (…).
 
«Entre o início do assalto e a proclamação do novo rei ao povo mediou um quarto de hora. Assim cai um regime.»
 
«A revolução de Lisboa foi abraçada, com entusiasmo, em todo o país. A província do Alentejo foi a primeira a aderir. (…) Em Coimbra, as cartas idas de Lisboa despertaram o maior entusiasmo. Os estudantes juntaram-se no pátio da Universidade e foi ali que, no dia 6, aclamaram o rei, entre grandes manifestações de júbilo. (…) Em Santarém, fidalgos, clero e povo aclamaram o rei, num grande cortejo cívico que percorreu as ruas da vila. O mesmo sucedeu em Leiria (…). No Porto, a aclamação fez-se no dia 8 (…). As notícias do Porto chegaram a todas as vilas e cidades do Minho, Douro e Beiras e em todas houve verdadeiras explosões de alegria. (…) Em Salamanca mais de quatrocentos estudantes portugueses saíram da cidade em direcção à fronteira portuguesa, gritando pelas estradas: “Viva El-Rei D. João IV!” (…)»
 
                           In «Diário da História de Portugal»,
                           José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra
                           Selecções do Reader’s Digest, 1998
 
 
Há 366 anos um país inteiro festejava unido a restauração de uma independência perdida durante 60 anos. Hoje…



CFL @ 22:45

Qua, 14/06/06

 

 

Na próxima sexta-feira, 16 de Junho, pelas 21:45h, no Largo 5 de Outubro (em frente à Igreja Matriz) o Coro de Santo Amaro de Oeiras vai apresentar à população de Oeiras um projecto que demorou longos anos a concluir e que reuniu os incansáveis esforços de todos os que o apoiaram (e para o qual me orgulho de ter contribuído): o DVD dos 45 anos do CSAO.

 

Através da música, o Coro mostra o Concelho, fazendo uma viagem por todos os locais de referência. O Palácio do Marquês, a Praia da Torre, o Jardim Real de Caxias, o Farol do Bugio ou o Parque dos Poetas são alguns dos cenários que este DVD dá a conhecer. O resultado é surpreendente e vale a pena assistir, nem que seja apenas para ver e (re)conhecer os cantos e recantos deste nosso Concelho.

 

Para mais informações, visite o site oficial do CSAO.

 




CFL @ 17:06

Ter, 25/04/06

 

 

É inevitável. É preciso falar de hoje. É preciso pensar o que o dia de hoje, há tão pouco tempo atrás, nos deixou. Não foi só uma Constituição... foi o poder sair à rua, foi o poder falar. A liberdade para aprender e pensar... a liberdade para ser.

 

Deixo aqui um pequeno exercício de comparação entre dois regimes...

 

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

DE 11 DE ABRIL DE 1933

 

Artigo 5.º

§ único - A igualdade perante a lei envolve o direito de ser provido nos cargos públicos, conforme a capacidade ou serviços prestados, e a negação de qualquer previlégio de nascimneto, nobreza, título nobiliárquico, sexo, ou condição social, salvas, quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem da família e, quanto aos encargos ou vantagens dos cidadãos, as impostas pela diversidade das circunstâncias ou pela natureza das coisas.

 

Artigo 8.º

§ 2.º - Leis especiais regularão o exercício da liberdade de expressão do pensamento, de ensino, de reunião e de associação, devendo quanto à primeira, impedir preventiva ou repressivamente a perversão da opinião públicas na sua função de força social, e salvaguardar a integridade moral dos cidadãos (...).

 

Artigo 11.º

O Estado assegura a constituição e defesa da família, como fonte de conservação e desenvolvimento da raça (...).

 

Artigo 12.º

A constituição da família assenta:

1.º - No casamento e filiação legítima;

§ 2.º - É garantida aos filhos legítimos a plenitude dos direitos exigidos pela ordem e solidez da família, reconhecendo-se aos ilegítimos perfilháveis, mesmo os nascituros, direitos convenientes à sua situação (...).

 

Artigo 13.º

Em ordem à defesa da família pertence ao Estado e autarquias locais:

5.º - Tomar todas as providências no sentido de evitar a corrupção dos costumes.

 

Artigo 17.º

Pertence privativamente às famílias o direito de eleger as juntas de freguesia.

§ único - Este direito é exercido pelo respectivo chefe.

 

Artigo 39.º

Nas relações económicas entre o capital e o trabalho não é permitida a suspensão de actividades por qualquer das partes com o fim de fazer vingar os respectivos interesses.

 

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

DE 2 DE ABRIL DE 1976

 

Artigo 13.º

1 - Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2 - Ninguém pode ser previlegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascedência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

 

Artigo 21.º

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

 

Artigo 26.º

1 - A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.

 

Artigo 36.º

3 - Os cônjuges têm iguais direitos e deveres quanto à capacidade civil e política e à manutenção e educação dos filhos.

4 - Os filhos nascidos fora do casamento não podem, por esse motivo, ser objecto de qualquer discriminação (...).

 

Artigo 37.º

1 - Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2 - O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.

 

Artigo 41.º

1 - A liberdade de consciência, de regilião e de culto é inviolável. (...)

 

Artigo 48.º

1 - Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direcção dos assuntos públicos do país (...).

 

Artigo 49.º

1 - Têm direito de sufrágio todos os cidadãos maiores de dezoito anos (...).

 

Artigo 57.º

1 - É garantido o direito à greve. (...)

 

E muito mais haveria a dizer e a comparar. Mas deixo apenas a memória àqueles que viveram o primeiro, que muito mais do que palavras, sabem o que sentiam.

 

E deixo apenas o arrepio àqueles que, como eu, já nasceram como cidadãos iguais e livres, ao pensar no que seriam hoje, se naquela madrugada não se tivesse ouvido E depois do adeus...




CFL @ 00:12

Sex, 14/04/06

Eu não queria. Tinha até prometido ao mais íntimo do meu ser que não me pronunciaria sobre questões religiosas. Mas afinal é impossível (também porque o estudo das religiões - quaisquer que sejam - sempre me interessou). Peço desculpa, mas isto vai ser longo...

 

Numa pequena viagem à minha infância, tenho de confessar que andei 4 anos na catequese. Que fiz a 1.ª comunhão. Mas sempre me pareceu demasiada obscura a imagem de um jovem de barbas e de tanga dependurado numa cruz, barbaramente trespassado por setas. E sempre que me pareceu demasiada obscura a ideia de esperar pacientemente por uma ressurreição (quem sabe, comodamente acomodado no caixão), num dia, que se imaginava daí a muitos milhares de anos, em que anjos com arpas, cornetas e afins acordariam todos os justos e deixariam para trás os pecadores, entregues a uma eternidade de sofrimento numa cave decorada a encarnado e com o ar condicionado avariado.

 

E (graças a Deus!) sempre tive um cérebro. Pior... sempre tive um cérebro provido de razão. E cérebros providos de razão (ou não) procuram sempre algo que os alimente. E depois há os livros de história, há os livros de ciência, e os jornais, e a internet. Mas acima de tudo há a minha própria cabeça.

 

E a minha própria cabeça aprendeu a pensar sozinha. E a perceber que o catolicismo foi construído em cima de outras religiões mais antigas, numa espécie de copy-paste mal amanhado. Antes do Natal, havia a festa do solstício, antes da Páscoa, havia o equinócio. E seguindo sempre assim, colando indecentemente uma festa sobre a outra, em quase todos os santos momentos católicos. E também isto aconteceu com todos os objectos de devoção... quem é Nossa Senhora senão a versão católica da Deusa adorada pelos celtas?

 

Se isto é um fenómeno de aculturação, mais grave é o fenómeno de embrutecimento das mentalidades. Se no séc. XIII, no meio de todas aquelas trevas e ignorância, era compreensível o temor e adoração à Igreja (afinal, é nela que a civilização ocidental se funda) - não podemos esquecer que as missas eram em latim, numa altura em que já ninguém sabia o que era isso - no séc. XXI, no meio de toda esta informação, já ninguém tem medo da Igreja. Quem quiser pode pôr o cérebro a funcionar e decantar a origem de cada pecado, a origem de cada proibição católica (basta referir que a castidade pré-matrimonial servia simplesmente para garantir que a pobre donzela não deixasse descendentes indignos à sua hereditariedade).

 

E após um breve momento de quase racionalidade, é agora, no séc. XXI que a Igreja se começa a virar novamente para a inquisição. Desde a ridícula tentativa de impor um sentimento ao medo claro de que os pobres católicos comecem a pensar por si, a Igreja afunda-se lentamente no fundamentalismo católico. Fraco. Mas igualmente preverso (já muitas vezes o veneno foi santo e calou inquietações).

 

Só resta a esperança numa sociedade esclarecida (que por vezes me parece distante quando vejo milhares de jovens - que se queriam esclarecidos - a gritar por Ratzinger na praça de S. Pedro), que sabe pensar por si, que sabe ser ética e que tem valores.

 

Porque, afinal, os valores são inerentes ao Homem, são filosofia. Não me serão ditados por alguém que se diz mais perto de Deus do que eu, sem explicar porquê e sem me mostrar uma carteira profissional assinada pelo seu chefe "Sr. Deus".



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