CFL @ 01:06

Seg, 08/09/08

Um ano depois sou outra pessoa. Já não sou aquela miúda recém-licenciada e com medo do primeiro dia de trabalho, já não sou aquela namorada que via aproximar-se a passos largos o final de tudo e estava presa à força do hábito. Já não sou a miúda que teve de comprar fatos para o trabalho e que foi descobrindo, devagar, os diferentes caminhos para chegar ao Conselho Distrital.

Mas ainda sou a miúda que encontrou uma nova vida, que descobriu novos caminhos e que desenhou um trajecto até eles. No último ano fiz um ou outro disparate, fui promovida ao nível IV nas aulas de dança, senti um ou outro calafrio por quem não devia. Tomei uma decisão há muito adiada e não olhei mais para trás. Conheci tanta e tanta gente nova. E conheci-os na altura certa. Na última metade do último ano só tive um objectivo: ser feliz.

E se há dias mais cinzentos, em que o Sol não parece brilhar, há noites em que a Lua sobe ao céu só para iluminar este caminho.

O último ano foi um ano de descoberta. Um ano em que pude ter tudo e não querer nada. Foi o ano em que me descobri a mim. Foi o ano em que me comecei a descobrir a mim. Um ano depois sou outra pessoa... e sou muito mais feliz assim, mesmo nos momentos de aperto no coração, mesmo quando não há água das pedras para ajudar. O que começou neste ano não vai nunca mais acabar porque me encontrei a mim, porque me devolvi a mim mesma.

 

E para ti amiga, que estás quase neste "ano depois"... aqui está a Lisboa/* 2008/2009, já ali atrás de nós. Uma Lisboa que tem tudo o que teve este ano mas que guarda em si muito mais. Esta Lisboa/* que também tem um castelo, esta Lisboa que tem tanta magia para mostrar. E na hora certa, no bater das doze badaladas, toda esta magia vai acontecer. É só olhares para esta Lisboa/* atrás de nós e sentires tudo o que ela tem guardado para nos oferecer.

 

So che si realizzerà!

 

Não tivesse sido este quadro pintado por alguém...

 




CFL @ 10:02

Seg, 18/08/08

 

Acordo às 8:00h, enganada pela funcionária da Ensitel que me acertou o relógio do telemóvel novo com uma hora de avanço e o stress de chegar atrasada, de que já tinha saudades, deu lugar a mais uns minutos de ronha... Afinal de contas, cheguei a casa às 2:00h da manhã! É o primeiro "regresso ao trabalho" e o primeiro regresso ao trabalho é bem mais difícil que o primeiro dia de trabalho, há já um ano atrás. Hoje não sei o que vestir, nenhuma camisa me agrada. Troco de roupa três vezes e não acerto com o penteado. Acabo por desistir de toda a roupa que já tinha arranjada e vou engomar outras calças e outra camisa. Ao fim de tantos dias não sei como recuperar a minha apresentação profissional e só me apetece vestir a roupa que está amarrotada na mala de viagem. Tudo isto me parece tão distante mas tudo isto me é tão familiar. É tudo tão diferente e tão deliciosamente igual.

 

E que saudades que eu já tinha do meu carro! Dos sons da manhã. E como se o próprio Universo me quisesse ajudar, hoje está um lindo dia de Setembro. Está tudo tão deliciosamente diferente e é tudo tão igual! O Allgarve 2008 deu lugar à Lisboa 2008/2009 e algo me diz que esta Lisboa tem muitas surpresas para mostrar. Pois está tudo tão deliciosamente diferente e igual.

 




CFL @ 14:37

Qui, 17/07/08

 

É esta luz e este azul. É este brilho que ilumina o dia. É o rio lá ao fundo e este chão tão pertinho dele. É este céu, esta cor, este cheiro. São todos os sons que chegam ao Rossio. É este vai-vem de gente. E o céu que acaba já ali no rio, aqui tão perto.

Toda a alegria, toda a tristeza de todas as vidas que aqui passaram.

E aqui, tão perto do rio onde começa o céu, é esta vida que me dá vida.

 

 

 

 




CFL @ 00:55

Qua, 21/05/08

Como manda a tradição, um ano depois desfiz finalmente o lacinho com que fechei a pasta das fitas e passei uma hora a rele-las. E um ano depois, transportei-me para aquele lugar, para aquele momento único. E um ano depois, tudo é já tão diferente!

A fita preta que nunca chegou a ser escrita e o namorado que deixou de o ser.

Os amigos com que partilhava todos os dias e que continuam a fazer-me sorrir todas as manhãs com um simples e-mail (já combinávamos alguma coisa à séria!!!), porque continuam aqui pertinho, no coração.

O amigo que me prometeu cafés, que afinal se transformaram em almoços.

Os desejos de realização dos meus sonhos impressos a caneta dourada.

E a concretização de alguns deles.

A fita que nunca mais poderá ser repetida e a estranha tristeza que sinto por essa perda.

Todas as pessoas que estou a aprender a conhecer este ano.

Todas as pessoas a quem devia ter dado fita e não dei.

E todas as fitas que me arrependi de dar.

E é verdade!... Aquelas pessoas de quem me esqueci.

Aquelas de quem não me devia ter esquecido.

Aquela pessoa que eu era nesse dia.

E a pessoa que sou hoje.

Tudo o que desejava, tudo o que esperava.

E todos os sonhos que guardo agora em mim.

As surpresas que encontrei.

O lugar onde estou hoje.

O desconhecido que me espera.

Um ano na nossa vida pode mudar tudo.

E a mudança que começou naquele pequeno momento no tempo, transforma o lugar de agora em algo muito especial!

 




CFL @ 01:00

Qui, 10/01/08

"Partir... / É como deixar / Um pouco de nós / Em qualquer lugar...

Ver partir... / É como ficar / Com quem vai p'ra longe / P'ra outro lugar...

Esta distância que separa o Mundo / Dói no silêncio de um querer profundo

Fica um vazio de tanto esperar / Que um dia alguém se volte a encontrar..."

 

Esta música, tantas vezes repetida em noites de luar, ressoa-me nos ouvidos nos últimos dias, como se dissesse para mim própria que esta é a hora de partir... para outro lugar.

Sempre fomos sinceros e dissemos adeus com toda essa sinceridade. Mas ver partir custa sempre e ao partir deixo-te para sempre um pouco de mim. E um abraço com a certeza de não voltar. Há coisas que ficam e há coisas que se repetem. Como ficar igual quando nada pode ser o mesmo? Como partir mas ao mesmo tempo ficar? Como avançar mas guardar para sempre este momento como se fosse eternamente agora? Como ficar contigo sem ficar e como não ficar se estás aqui? Como esquecer o que podia ter sido e o que nunca será?

 

Mas é a hora de partir. Basta só respirar fundo e começar a viagem.

 

Seremos sempre um pouco do que já fomos.




CFL @ 00:01

Ter, 23/10/07

Como hoje ainda só eram 23:15h quando cheguei a casa e porque passei todo o fim-de-semana entre o Ikea e a montagem de um roupeiro gigante com portas de correr que ficaram para sempre mal montadas e a chiar sempre que as abro, enquanto raspam na calha de ferro, e porque a empregada vem cá amanhã limpar esta enxovia em que se tornou este cantinho da casa, fui arrumar a roupa.

 

Camisas e calças dez (!) números mais baixos do que as actuais. Cada casaco traz-me recordações. O casaco azul claro que eu vestia em dias de pouca paciência. A camisa às riscas que vesti no jantar medieval, já lá vão quase seis anos, e nunca mais a tirei do cabide. As cores que os dias tinham naquela altura, o cheiro daqueles verões. Uma saia comprida que estava na moda e que me fazia sentir perfeita quando a vestia. O dia que a comprei e os sonhos todos que vivi. O frio de um certo inverno. As tardes de Uno contra-relógio ao som de It's raining men. Cada peça de roupa guarda nela um pouco de mim e do que era.

 

Olho para ela uma última vez e atiro-a para o monte de roupa que vai para a cave. Sei que nunca mais vai voltar de lá. Assim como eu nunca mais vou voltar àqueles dias.

 

(Esperei tanto para crescer e agora só me apetece ser pequenina!)

 




CFL @ 23:50

Seg, 08/10/07

... vou ao meu hi5 só para me lembrar da minha idade.

... vejo o meu primo no seu primeiro computador, com o Windows Vista, e me lembro que o meu primeiro computador tinha o MS-DOS.

... reparo que já passaram quase tantos anos desde que saí das Guias como os que lá andei.

... dou por mim a almoçar peixe num restaurante, de livre vontade.

... converso sobre o preço do leite.

... leio o jornal ao pequeno-almoço, no café.

... e a empregada de balcão me deseja um bom dia de trabalho.

... espero impacientemente pelo fim-de-semana.

... tenho de escrever post-its para me lembrar das coisas.

... vejo os Morangos com Açúcar só para me manter actualizada

... e concluo que as roupas de hoje em dia são horrorosas!




CFL @ 21:34

Seg, 03/09/07

Na primeira semana de trabalho, já fui a três tribunais. Sozinha.

Já fiquei com o salto preso nas escadas da entrada de um deles e já cheguei depois de a secretaria fechar.

Por isso, já tive de voltar no dia seguinte.

Já atendi três telefonemas e já fingi que sabia qual era o assunto, sem verdadeiramente saber.

Já aprendi que os únicos bens penhoráveis são os televisores e que tudo o mais é indispensável à economia do lar.

Já aprendi que ninguém tem contas bancárias.

E que está tudo no desemprego.

E que os pais nunca sabem onde os filhos moram, se for um oficial de justiça a perguntar.

Já penhorei um carro ou outro e já tive pena do dono quando falei com ele ao telefone.

E ouvi falar pela primeira vez em cartas precatórias.

Na primeira semana de trabalho.



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