CFL @ 23:23

Seg, 16/10/06

Afinal a licença sabática demorou pouco tempo. Planeio outra para breve, mas uma interrupção da licença é necessária pela pertinência de falar da interrupção da gravidez.

 

 

Sem rodeios desnecessários afirmo-me desde já pela despenalização do aborto. Pela necessidade de despenalização do aborto. Porque o aborto não se impede pela simples penalização. Porque o aborto continua a acontecer em escuros vãos de escadas. Porque quem os faz aproveita-se de um estado de fraqueza emocional e económica da ex-futura mãe e enriquece às custas de uma penalização que, com tanta prepotência de moralidade, é imoral. É imoral porque muitas vezes viola o direito à vida daquelas mulheres, porque viola a sua integridade física e porque explora situações de necessidade. Imoral também porque pretende impor uma moralidade que nem todos partilham e ninguém pode ser obrigado a partilhar. Imoral porque faz aumentar o número de crianças abandonadas à sua sorte, o número de crianças maltratadas e mal amadas.

 

 

Não me interessa o direito da mulher mandar no seu próprio corpo. Não me interessa o direito de escolha da mulher. Estes são argumentos puramente falaciosos. Fracos. Para mim, não justificam. O que me interessa é a defesa da vida e integridade física daquelas mulheres que não encontram outra solução, o fim do aproveitamento do seu estado por parteiras obscuras, o fim do nascimento de crianças destinadas à infelicidade e à pobreza. O que me interessa é o fim da hipocrisia. Deixem a moral a cada um, porque a moral só a cada um pertence.

 

 

E não, não sou a favor do aborto. Apenas da despenalização.

 

 

 



Paula @ 10:45

Qui, 26/10/06

 

Também eu concordo com a despenalização do Aborto. E também concordo que temos de acabar com as parteiras de vão de escada, que muitas das vezes actuam como se de "traficantes" se tratassem. Agora não aceito que se pratique o aborto em hospitais públicos porque sendo o aborto uma questão de ética e da moral de cada um não me parece de todo justo que, o dinheiro dos impostos de todos, seja utilizado, embora que de uma forma indirecta para a prática do aborto.
Penso que quem interrompe voluntariamente uma gravidez deve, como sempre o fizeram, pagar do seu bolso a sua irresponsabilidade , de uma forma digna e com condições.
Sou contra o Aborto, não compreendo como alguém consegue infligir a si próprio tamanho sofrimento, mas não me cabe a mim julgar. Contudo, e existindo hoje métodos de prevenção e até de intervenção rápida (pílula do dia seguinte) não me parece de todos coerente que se tenha pena de mulheres que por sua própria vontade interrompem uma gravidez. Acho que deve haver uma maior consciencialização do seu próprio corpo e da sua dignidade enquanto mulheres.
Para mim quando uma mulher interrompe voluntariamente uma gravidez é uma derrota para a dignidade feminina, repito nos dias que correm....
Por ultimo, acho que devemos ter uma discussão saudável e livre de dogmas, sou contra o aborto mas a favor da despenalização.



CFL @ 18:35

Qui, 26/10/06

 

Paula,

Obrigada pelo seu comentário. Com ele levanta questões pertinentes como o facto de ser o Estado a pagar a factura dos abortos. É, sem dúvida, polémico (quase tanto como a própria despenalização) mas o afastamento das IVG do serviço nacional de saúde poderá levantar sérios problemas constitucionais (vd. art. 64.º da CRP).

Outro ponto de vista bastante interessante é a sua referência à dignidade da mulher enquanto tal e ao respeito pelo seu corpo, argumento muitas vezes utilizado por aqueles que são favoráveis à despenalização, mas de forma invertida. É interessante analisá-lo na vertente que nos aponta no seu comentário, em que o aborto atentará contra a dignidade da mulher enquanto tal.

Mais uma vez, obrigada pelo comentário e pela visita, espero que nos volte a visitar em breve e a contribuir com a sua opinião.

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