CFL @ 22:03

Seg, 30/10/06

Acabou. Chegaram ao fim os longos momentos de tortura voluntária. Vesti fatos amarrotados. Gastei energias vãs. Cansei-me. Preocupei-me. Esgotei-me. Bebi cafés em catadupa. Desisti, por vezes, pelo caminho quando soube que seria totalmente em vão. Não dormi. Não tive tempo para mais. Fechei o carro com as chaves lá dentro. Perdi muitas horas à espera. Adiei compromissos. Ouvi música deprimente. E ficou tudo na mesma. Acabou.
 
Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.
 
E essa, pelo menos, ainda não ma conseguiram encolher.


Lina @ 23:00

Seg, 30/10/06

 

Oh linda, o que interessa é que tentaste! Deixo-te aqui um poema do nosso grande poeta:

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

(Fernando Pessoa)

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