CFL @ 02:04

Sab, 24/02/07

Era uma vez uma Faculdade onde não existem critérios de avaliação. O que pode ser bom, pois às vezes os alunos têm agradáveis surpresas. Enquanto uns descem de 13 para 5, outros sobem de 5 para 13 - mas habitualmente descem. Tudo depende da disposição de quem lhes corrige o exame, de uma letra mais afinada e, claro, do que prevê o horóscopo daquele dia. No fundo, no fundo, resume-se tudo a uma grande dose de sorte ou a um previsível azar dos diabos.

 

Claro que a sorte não se fica pela mãozinha de Deus quando distribui os exames pelos diferentes correctores. A sorte está determinada à partida. É importante o aspecto jurídico da coisa. E do aluno também. Um sorriso amarelo de esguelha ou um aceno de cabeça interessado enquanto se pensa na festa de logo à noite. Mas estas pequenas sortes, determinadas por uma ida ou outra ao cabeleireiro e à Massimo Dutti  ou por uma grande dose de autocontrolo , são secundárias. Sorte, sorte é o assistente que nos calhar na rifa!

 

Era uma manhã de nevoeiro e ela entrou naquela sala de aula onde o frio impera. Cinco minutos depois já todos se benziam. A sorte abandonara-os e talvez nem com os sorrisos amarelos se conseguissem safar. O olhar distante e assustadoramente perdido noutros tempos. A voz arrastada pela frieza da manhã. O incessante repetir das mesmas frases políticas, já que muito falava mas nada dizia. No caderno, só a data. No cérebro só o medo que a experiência daquelas vagas de azar sabia reconhecer.

 

(Continua)



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