CFL @ 20:16

Seg, 24/07/06

O Sr. António anda feliz. É que vai comprar uma casinha nova. E ainda anda mais feliz porque vai ter de pedir um empréstimo ao Maior Banco de Portugal, aquele onde os funcionários públicos eram obrigados a ter conta há uns tempos se queriam receber o ordenado. Tudo parecia bem encaminhado, o Sr. António até conhece o gerente de uma das agências e até lhe dão o dinheiro todo que ele quiser porque ter amigos é bom.

 

Só que, um dia, ao entardecer, bateu-lhe à porte o Sr. Engenheiro para lhe avaliar a futura aquisição. O imóvelzito até é jeitoso... quatro assoalhadas espaçosas, um varanda a sul de uma ponta à outra da casa e um terraço exclusivo com mais de 100m2. Ah... e no centro da vila de Oeiras! E tudo isto pela módica quantia de 125 mil euros.

 

O Sr. Engenheiro resmungou "Boa tarde" com ar de poucos amigos enquanto o Sr. António lhe abria a porta. No alto da sua sapiência engénica indignou-se por a planta apresentada não ser daquela casa e o sr . António prontamente lhe explicou que estava a ver a planta de pernas para o ar. O Sr. Engenheiro não saiu do hall de entrada e apenas se limitou a dizer que o chão da casa era feio (lá isso é verdade). E depois, em jeito de despedida, disse ao Sr. António que ia ser difícil avaliar a casa pelo valor pretendido (150 mil euros).

 

No dia seguinte, enquanto o Sr. António se afadigava no seu local de trabalho, telefona-lhe o Sr. Engenheiro. "Mas que estranho!" - pensou logo o Sr. António - "O Sr. Engenheiro envelheceu muito rapidamente! Que voz tão envelhecida se ouve do outro lado do telefone!"

 

"Sabe?..." - começou o Sr. Engenheiro - "Ontem foi o meu filho que foi lá ver a sua casa! E ele não está a par do processo..." Neste momento o Sr. António começou a enrolar o farfalhudo bigode a tentar assimilar esta nova informação. "Se me arranjar um orçamento para obras podemos avaliar pelo valor que quer!". Orçamento para obras já têm eles, visto a casa estar mesmo em obras (o que foi comprovado pelo Sr. Engenheiro-que-afinal-não-era-engenheiro-mas-filho-do-pai )!!

 

No dia seguinte, lá se apressou o Sr. António a mandar o orçamento das obras. E aguardou por notícias. Qual não foi o seu espanto quando soube que a avaliação fora feita pelo valor pretendido não devido ao orçamento para obras mas porque, algures naquela semana, o Sr. Engenheiro-pai perdera o processo inteiro...

 

 




CFL @ 11:44

Dom, 16/07/06

«José Sócrates disse ontem, em Chaves, que suspender o projecto do TGV "seria um erro que o país pagaria caro em termos de competitividade e qualidade de vida". Foi a resposta do primeiro-ministro às reservas manifestadas pelo Presidente da República que, na sexta-feira, apelou à realização prévia de "análises custos-benefícios muito profundas."

In DN Online

 

Parece que já o estou a ver. Todo emproado, qual galo cacarejando bem alto do cimo do seu galinheiro. Naquela voz de constante campanha lembrando sempre que "nós somos bons e pensamos naquilo que nunca ninguém pensou". Naquele maneirismo subtil de quem se acha a luz ao fundo do túnel.

 

«Portugal não pode ficar de fora da rede de alta velocidade de toda a Europa» diz ele tentando justificar a sua tão certa decisão. Pois não. Portugal não pode ficar fora da rede de alta velocidade de toda a Europa. É que os bons cuidados de saúde já vão em Badajoz, a qualidade da educação está por Salamanca e a qualidade de vida em geral está de férias em Madrid.

 

Pode ser que o TGV as traga de volta.

 




CFL @ 19:07

Sex, 14/07/06

Já há muito me tenho vindo a interrogar como é possível passar tanta publicidade enganosa sem ninguém se manifestar, sem ninguém demonstrar o seu verdadeiro conteúdo.

 

É verdade que o PSD bem tem tentado. Mas, por muito que me custe dizê-lo, fruto da minha militância laranja, não tem conseguido. Porque a credibilidade que se quer passar também não passa de uma credibilidade reduzida a um rídiculo desnecessário. Mas as minhas dores de militante social-democrata não são para aqui chamadas...

 

É que finalmente encontrei a resposta! Uma excelente resposta dada no blogue O Jumento, para a qual segue a ligação com a minha devida vénia. Obrigada. Finalmente... entendi-te!

 

 


sinto-me: esclarecida


CFL @ 20:50

Ter, 11/07/06

Apesar de acabar já na próxima sexta-feira o prazo para pagar o Imposto Municipal sobre Veículos (mais conhecido como "selo do carro"), este exercício de comparação ainda pode ser útil...

 

Instruções para comprar o selo do carro antes de 2006:

1 - Dirija-se a uma Tesouraria de Finanças mais perto de si ou, se preferir, a uma papelaria;

2 - Preencha o impresso e pague;

3 - Coloque o selo no quanto superior direito do vidro dianteiro do seu automóvel numa daquelas capinhas plásticas oferecidas por uma seguradora da sua preferência.

4 - Aproveite o seu novo selo e dê uns belos passeios no seu automóvel, feliz por ter contribuído com alguns euros para o seu município.

 

Instruções para comprar o selo do carro em 2006:

1 - Aceda à página da DGCI na internet;

2 - Depois de preencher os dados necessários imprima a folha e vá pagar ao Multibanco mais próximo.

3 - Se o MB estiver fora de serviço, dirija-se a outro.

4 - Ou então pague através dos serviços on-line do seu banco.

5 - Ou então, se os serviços on-line do banco não estiverem disponíveis, volte ao MB.

6 - Se tudo isto não resultar... vá a uma Tesouraria de Finanças pagar!

7 - Depois de feito o pagamento espere alguns dias, semanas, meses, quem sabe anos, que o selinho finalmente lhe chegue à caixa do correio (isto se não se tiver esquecido de verificar se a sua morada está correcta);

8 - Como não estava em casa, lamentamos mas tem de ir buscar o selo à estação dos correios;

9 - Não desespere. Mantenha o seu bom humor e aproveite o espírito simplex.

10 - A Estação dos Correios está fechada. Volte amanhã.

11 - Finalmente tem o selo. Coloque-o no canto superior esquerdo... não! Direito! Do vidro dianteiro do seu automóvel.

12 - Verifique se é mesmo a matrícula do seu carro que está no verso do selo.

13 - Já agora, se não for, é melhor dizer-nos.

14 - Agora já pode ligar o carro. Ajustou os espelhos?

15 - Em vez dos passos descritos nos números 1 a 14, pode ir à papelaria do costume, pagar como de costume, e levar logo o selo, como de costume.

 

Conhece alguma coisa mais simplex, baratex e menos burocrática do que comprar o selo do carro pela Internet?

 

 


sinto-me: À espera do selo há semanas


CFL @ 15:04

Sex, 07/07/06

«A Comissão de Vencimentos do Banco de Portugal, liderada por Miguel Beleza, vai propor ao Governo o fim das pensões vitalícias, adianta o Semanário Económico esta sexta-feira.»

Fonte: Dinheiro Digital

 

O Sr. António nem queria acreditar quando esta manhã abriu o jornal. Não é que pela primeira vez se fala em acabar com as pensões milionárias e vitalícias do Banco de Portugal?

 

"Até parece mentira!" - pensou o Sr. António, coçando o farto bigode que ia acumulando pingos do galão.

 

Mas a clarividência depressa lhe alcançou a ideia, com a certeza de que esta proposta será rejeitada. Como poderiam os grandes tachos do Banco de Portugal sobreviver sem a pensãozinha que lhes cabe ao fim de cinco anos na administração? Afinal, aqueles cinco aninhos são o seguro de pensão dos ex-governantes, familiares e amigos...

 

PS: Não me apetece falar da Lei da Paridade. As notícias são demasiado enjoativas. Talvez um dia.

 

 


sinto-me: A acreditar no Pai Natal


CFL @ 00:48

Ter, 04/07/06

Espera ansiosamente a próxima pergunta com que será torturada naquele exame oral. A experiência já lhe colocou um sorriso irónico que mantém naquela meia hora de profunda actividade cerebral. E o Senhor Professor Doutor lá se decide:

 

- Qual é o sistema de casamento em Portugal?

- É o sistema de casamento civil facultativo - responde prontamente a transbordar confiança.

- E o sistema de divórcio?

- Pois... o divórcio... é o sistema de divórcio civil obrigatório!

 

E não é que o Senhor Professor Doutor acha piada? O que é preciso é imaginação. E assim se faz doutrina, porque a resposta, no fundo, é verdade.

 



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