CFL @ 22:03

Seg, 30/10/06

Acabou. Chegaram ao fim os longos momentos de tortura voluntária. Vesti fatos amarrotados. Gastei energias vãs. Cansei-me. Preocupei-me. Esgotei-me. Bebi cafés em catadupa. Desisti, por vezes, pelo caminho quando soube que seria totalmente em vão. Não dormi. Não tive tempo para mais. Fechei o carro com as chaves lá dentro. Perdi muitas horas à espera. Adiei compromissos. Ouvi música deprimente. E ficou tudo na mesma. Acabou.
 
Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.
 
E essa, pelo menos, ainda não ma conseguiram encolher.



CFL @ 20:56

Ter, 24/10/06

“O porta-voz do PS repetiu o discurso de que não houve quebra de nenhuma promessa porque o Programa do Governo associa a manutenção das SCUT "aos indicadores de desenvolvimento socio-económico das regiões em causa, quer no que diz respeito às alternativas de oferta no sistema rodoviário””.
 
Depois de tanto pensar com a notícia anterior, o Sr. António pensou dedicar-se a leituras mais refrescantes. E foi quando encontrou este pequeno excerto.
 
“Ora bolas!” – articulou com dificuldade, enquanto mastigava uns amendoins torrados – “Os portugueses esqueceram-se de ler as letras miudinhas no rodapé do programa do governo!”.
 
Mais uma vez, a culpa é nossa.
 
De sermos burros.



CFL @ 20:40

Ter, 24/10/06

"Marques Mendes apelou hoje à motivação dos funcionários públicos. (...) O líder do PSD sublinhou que as boas reformas fazem-se com as pessoas, e não contra elas."

In SIC Online

 

O Sr. António folheava o jornal e deparou-se com este belo pedaço de informação. Mas a estranheza do pequeno parágrafo cintilou-lhe nos neurónios.

 

"Querem lá ver que o Mendes está a incentivar os funcionários públicos à revolta? Vai participar na mega-hiper-giga-tera mánif que aí vem?"

 

Depois lembrou-se que isso era um bocado estúpido. Depois lembrou-se que isso, se calhar, até era um bocadinho a atirar assim para o comunista. E depois imaginou o Mendes abraçado à Odete Santos e a gritar a plenos pulmões "A LUTA CONTINUA! Governo para a rua!". Depois percebeu que esse cenário seria impossível, porque o líder social-democrata depressa se perderia na turba enfurecida de funcionários públicos.

 

"Querem lá ver que o gajo 'tá a apoiar o Sócrates nesta treta de remodelações?"

 

Pensou, de seguida, o Sr. António. Depois lembrou-se que isso era um bocado estúpido e só nos faltava mais essa.

 

"Ah, ele está apenas a dar graxa aos funcionários públicos e a querer parecer que compreende os seus problemas!"

 

Percebeu, finalmente, o Sr. António. Depois lembrou-se que isso era mesmo muito estúpido.

 




CFL @ 18:44

Qui, 19/10/06

"O secretário de Estado adjunto da Indústria e Inovação afirmou hoje que estava num dia mau quando culpou os consumidores pelo aumento do preço da electricidade em cerca de 16 por cento. António Castro Guerra diz agora que o que está em cima de mesa é uma proposta de aumento de tarifas e não a versão final."
 
O secretário de Estado adjunto da Indústria e Inovação ontem estava num dia "não". Bem-vindo. Os portugueses já estão assim há muito tempo. É que enquanto os consumidores pagam menos do que devem, este senhor recebe mais do que merece.
 
 
 
 
 
 
 
 
 



CFL @ 23:23

Seg, 16/10/06

Afinal a licença sabática demorou pouco tempo. Planeio outra para breve, mas uma interrupção da licença é necessária pela pertinência de falar da interrupção da gravidez.

 

 

Sem rodeios desnecessários afirmo-me desde já pela despenalização do aborto. Pela necessidade de despenalização do aborto. Porque o aborto não se impede pela simples penalização. Porque o aborto continua a acontecer em escuros vãos de escadas. Porque quem os faz aproveita-se de um estado de fraqueza emocional e económica da ex-futura mãe e enriquece às custas de uma penalização que, com tanta prepotência de moralidade, é imoral. É imoral porque muitas vezes viola o direito à vida daquelas mulheres, porque viola a sua integridade física e porque explora situações de necessidade. Imoral também porque pretende impor uma moralidade que nem todos partilham e ninguém pode ser obrigado a partilhar. Imoral porque faz aumentar o número de crianças abandonadas à sua sorte, o número de crianças maltratadas e mal amadas.

 

 

Não me interessa o direito da mulher mandar no seu próprio corpo. Não me interessa o direito de escolha da mulher. Estes são argumentos puramente falaciosos. Fracos. Para mim, não justificam. O que me interessa é a defesa da vida e integridade física daquelas mulheres que não encontram outra solução, o fim do aproveitamento do seu estado por parteiras obscuras, o fim do nascimento de crianças destinadas à infelicidade e à pobreza. O que me interessa é o fim da hipocrisia. Deixem a moral a cada um, porque a moral só a cada um pertence.

 

 

E não, não sou a favor do aborto. Apenas da despenalização.

 

 

 




CFL @ 11:40

Sab, 14/10/06

Desta vez estão mesmo concluídas. O blogue, agora, parece outro. Os comentários políticos voltam dentro de instantes, após a minha licença sabática para me dedicar ao estudo dos impedimentos ao casamento, da acção executiva e das deliberações das sociedades comerciais. Para me dedicar ainda a uma intervenção cirúrgica. E para recarregar baterias. Se não fosse eu, eu já tinha tido um esgotamento. Para evitar tal acontecimento, volto depois de umas pequenas férias mentais para me remodelar a mim.

 

Até já.


música: Sarah McLachlan - Surfacing


CFL @ 04:08

Sex, 13/10/06

Decidi mudar a cara do blogue. O fundo negro já me magoava a vista. Se calhar ficou mais confuso. Que se lixe. Confusa também eu estou. Volto dentro de breves momentos, quando ressuscitar alguns neurónios.




CFL @ 02:48

Sex, 13/10/06

Estamos em remodelações. Voltamos dentro de minutos. Horas. Quem sabe, dias.



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