CFL @ 23:59

Qui, 28/06/07

Entre uma nota ou outra que teima em não sair e o pensamento convencido de dispensar pelo menos uma dessas orais, entre um telefonema para o escritório com o tímido receio de já se terem esquecido de mim (porque isto de arranjar trabalho com quatro meses de antecedência implica o stress de achar que entretanto nos esquecem) e o sórdido prazer de escolher o nome profissional e decidir em definitivo, de entre os meus quatro nomes, quais os que melhor mostram toda a minha qualidade (ou não) enquanto advogada estagiária, às vezes surge a nostalgia de dias em que a emoção era maior e melhor (esperar por notas é mais irritante que emocionante). Remember Cuba?

 

 

 

 




CFL @ 01:24

Qui, 21/06/07

 

«A adopção da tese da situação individual pode levar a soluções inaceitáveis, como, por exemplo, não considerar privação de um membro importante o caso de um sujeito que serra um pé a um tetraplégico, pois a vítima não faz uso do membro. Segundo o critério aqui seguido, da relevância geral para o desempenho das funções do quotidiano, não deve ser considerado membro importante o dedo mais pequeno da mão, mesmo que a vítima seja pianista ou estenógrafo. Tal membro não é essencial para os desempenhos gerais da vida quotidiana - mas já o é a mão ou os dedos polegar e indicador.»

 

(Augusto Silva Dias, Direito Penal - Parte Especial,

2.ª ed. revista e actualizada, AAFDL, 2007)

 

São 01:30h da manhã. Faltam-me 36 páginas, glosar o Código Penal e tentar desfazer o nó que tenho no cérebro capaz de constituir uma ofensa à integridade física por violação do bem jurídico saúde, uma vez que este estado psicológico começa a afectar seriamente o físico. O nózinho começa a ser doloroso. Estará preenchida a al. c) do art. 144.º?

 

E não será demasiado macabro pensar, a uma hora destas, que há pessoas capazes de serrar o pé a um tetraplégico e ficarem-se a rir porque a vítima não usa o pé? E o que diria o típico português ao saber que o dedo mais pequeno da mão não interessa para nada e que por isso se algum malvado lho cortar não passa de uma ofensa simples? Qualquer português sabe como o dedo mais pequeno da mão é essencial para o desempenho geral da vida quotidiana! Como limpar o ouvido sem a unha que lhe está anexada? E se cortarem a unha, é uma ofensa simples, grave, qualificada ou agravada? E se a partir a rasgar o Código Penal, é negligente?

 

 




CFL @ 19:56

Qua, 13/06/07

 

Alguma preguiça em excesso, motivada por uma noite de quilómetros e quilómetros a pé à procura do caminho para o Castelo (como se o Castelo fosse pequenino). Na verdade, as baterias começam a falhar. Não apetece ler nada, não apetece pensar sobre a multilateralidade das relações jurídicas ambientais e se nem mesmo no Instituto do Ambiente se sabe bem como funciona o procedimento de avaliação do impacte ambiental, por que raio hei-de eu saber?!

 

Quando a meta está tão próxima surge o medo de não conseguir acabar. A bateria já está a meio gás , as boas intenções iniciais (Sim! Porque é desta que vou estudar tudo muito, muito, muito! - como se isso fizesse alguma diferença) começam a dar vontade de pôr tudo em ponto morto. Hoje, a Legislação Ambiental só saiu da pasta para a fotografia. E, ainda por cima, ontem atropelei um pombo que atravessava a estrada fora da passadeira.



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