CFL @ 15:27

Dom, 19/08/07

 

É este o resultado de cinco anos. Milhares de páginas, algumas já muito escurecidas pelo pó, outras sujas de tanto folhear. E é com esta bagagem que me preparo para caminhar numa nova estrada. O medo de não ter o que fazer com estes milhares de páginas transforma-se agora no medo de não saber o que fazer com elas. Agora é o tempo de organizar as ideias e de organizar estas páginas, aproveitar um pouco de sol sem preocupações que ainda há para aproveitar para depois começar a percorrer, cheia de energia e esperança, este novo caminho que escolhi já há tanto tempo.

 

Mas antes disso, vou organizar as ideias e meter tudo no sítio.

 

 




CFL @ 20:10

Qui, 26/07/07

 

Mal ou bem, cosi vinte e um emblemas em três horas.

Depois de muito tentar consegui o emprego que queria.

Mas não consegui convencer alguém a ir ao baile de finalistas.

Escrevi fitas sem conta e contei nelas tudo o que queria.

E as normas autolimitadas são normas de aplicação imediata.

Agarrei-me ao que podia e não fugi.

E ainda não acredito que já acabou.

Tive de comprar um novo traje.

Mas continuo sem saber como aqui cheguei.

E hoje consegui mesmo sair dali licenciada.

 

(Glosa ao post de 9 de Março de 2007)




CFL @ 20:27

Sab, 21/07/07

Cansada. Farta e sem coragem. O estatuto das pessoas colectivas tira a boa disposição a qualquer um e o Harry Potter está ali ao lado desde as 00.24h. À espera de um momento de pura diversão que uma história infantil (ou não assim tão infantil) nos pode dar.

 

Nunca o fim esteve tão perto (não do Harry Potter, mas do curso, embora do Harry Potter também) mas não encontro vontade para o Mundo demasiado real do Direito (ou demasiado surreal, a doutrina diverge). Os livres permanecem fechados em cima da secretária. Ficam sempre bem lá. E ainda não sei o que é uma fraude à jurisdição competente. Nem tenho vontade. Estou cansada demais para isso e morrer na praia é algo que me parece muito próximo. Já me fartei de nadar em vão.




CFL @ 23:39

Dom, 27/05/07

 

Aos Professores... e aos assistentes! Aos momentos de dor e aos dias de alegria. Ao chuvoso dia da praxe, quando o meu coração saltava e os olhos tentavam absorver tudo à minha volta. Às primeiras aulas e aos primeiros testes que me destruiram a ilusão. Às viagens a Coimbra e a um fim-de-semana no Alentejo. Ao cansaço e ao desespero. Às piadas recorrentes. Às aulas desgravadas e a todas as aulas teóricas a que não fui. Aos dias de recolhimento em mim e às tardes de cartas no Bar Novo. Aos croissants de ovo pela manhã e aos almoços de chessecake.

 

Às orais! E às colectâneas de legislação. Às conversas prolongadas no parque de estacionamento e aos dias de sol em que não apetecia estudar. Às vezes que caí nas escadas e às manhãs em que fiquei a dormir. Aos casos práticos que não fiz e a todos os outros que fiz mal. A Cuba! E ao rum! Aos currículos e às entrevistas! Ao medo e ao sabor do sucesso! Ao Bar Velho e à emoção. Aos raios de sol do último dia de sempre e às lágrimas que guardei só para mim.

 

Às palavras que sempre quis dizer e a todas as outras que ficaram presas na garganta. A vocês, amigos! Aos que foram e aos que partiram. Aos que chegaram e aos que são. Foram vocês que durante estes cinco anos preencheram a minha vida.

 

E hoje só quero dizer que, sem excepção, sem apelo e sem agravo, estão guardados para sempre no meu coração!




CFL @ 00:51

Sab, 12/05/07

Queria descrevê-lo mas as palavras prendem-se no fundo da garganta e tento guardar o momento só para mim e mantê-lo vivo para o reviver. O momento que esperei, o momento que por vezes pensei não conseguir alcançar, acabou mesmo por chegar.

 

Deixei-me levar e a corrente do destino conduziu-me ao porto esperado. O doce saber da vitória permanece ainda nos meus sentidos, toldado pela ligeira aspereza da vida. Foram dois longos meses de ansiedade, entrevistas sem fim e de fatos mais ou menos amarrotados. O cansaço venceu-me, por vezes. Houve dias de incompreensão. Houve dias de mais amargura. Houve dias de esperança que lentamente se dispersava e dias na certeza da insegurança. Também houve uma lágrima ou outra. E uma vontade de deixar tudo e fugir.

 

Mas todos estes dias, que me tiraram dias aos dias, foram recompensados. Chegou o momento que esperei. Consegui o que realmente queria e a porta para o futuro está finalmente aberta. Neste longo caminho aprendi. Muito. E olhando para trás esqueço as horas de suor e dificuldade e sinto até que foi fácil.

 

Aos meus amigos que tanto me ajudaram neste caminho, que esperaram comigo o momento que tanto esperei, só posso agradecer. Não sei como cheguei a esta margem mas a vossa boleia foi fundamental. Não podemos ainda compreender o destino que o Destino espera de nós mas temos de continuar a sonhar.

 

Eu sonhei e consegui o momento que esperei.

 

Conto convosco para continuar a sonhar.

 

 

 




CFL @ 01:19

Ter, 17/04/07

 

As malas não estão desfeitas. As roupas espalham-se pelo chão à procura de um ou outro presente. É o final de uma viagem de finalistas. É o princípio do início de outra viagem. Pela vida. Na mala chega a roupa amarrotada. No coração mantêm-se recordações destes e de outros momentos. E que odisseia foi esta de começar a conhecer assim a minha nova vida!

 

Há, contudo, alguma nostalgia. De dias que passaram e já não voltam. Da certeza de alguns outros dias que nunca virão. Nostalgia do que foi e já não será e um pequeno aperto pelo desejo de voltar atrás um dia, dois dias, um ano, cinco anos. Agora que tudo passou já não marca tanto. Desta viagem final que marca o princípio da vida não ficam apenas uma voz rouca ou o som da salsa cubana. Ao lado das fotos fica a memória do pouco que perdi mas de tudo o que aprendi.




CFL @ 00:42

Qua, 24/01/07

Mais uma vez, no meio da prova e da presunção de inocência, algures entre o princípio in dubio pro reo e a estrutura acusatória do processo penal, uma ideia de viagem trouxe-me à memória outros momentos. À pressa procurei em armários cheios de pó a cassete que me refrescasse a memória. Do tempo em que ainda não havia DVD (e lá está, algures naquela história, a primeira vez que contactei com tal coisa). Do tempo em que ainda era ruiva. Do tempo em que não sabia o que era o processo penal. No tempo em que estava apaixonada pela ideia de o estar. Do tempo em que ainda não conhecia o lado mau do sonho. Quando era tão jovem e tão crescida me sentia. Quando, feliz, pensava no futuro risonho que a entrada próxima na faculdade me traria.

 

O tempo de hoje é igual. A viagem não será a mesma, o cabelo já não é ruivo (o castanho sempre dá uma maior aparência da responsabilidade profissional que se quer mostrar). A perspectiva de futuro é, uma vez mais, empolgante. Mas a inocência daqueles dias não está mais aqui para agradar. Perdi-a algures entre o processo penal, os títulos de crédito ou um ou outro impedimento impediente. A voz não é igual. A pronúncia das palavras só uma sombra do passado. Ao sorriso inocente substituiu o sarcasmo e ironia que me tolda os dias de trabalho. Que saudades daquelas horas de inocência! Cinco anos depois, apenas cinco anos depois e cinco anos é muito tempo. Encontro-me outra vez na mesma fase. O sonho é o mesmo mas as perspectivas, de tão reais que são, perderam a inocência daqueles dias.

(em Londres, Dezembro/2001)

 




CFL @ 22:03

Seg, 30/10/06

Acabou. Chegaram ao fim os longos momentos de tortura voluntária. Vesti fatos amarrotados. Gastei energias vãs. Cansei-me. Preocupei-me. Esgotei-me. Bebi cafés em catadupa. Desisti, por vezes, pelo caminho quando soube que seria totalmente em vão. Não dormi. Não tive tempo para mais. Fechei o carro com as chaves lá dentro. Perdi muitas horas à espera. Adiei compromissos. Ouvi música deprimente. E ficou tudo na mesma. Acabou.
 
Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.
 
E essa, pelo menos, ainda não ma conseguiram encolher.


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